Elétricos e híbridos ganham espaço no Brasil, impulsionados por novos modelos, preços mais competitivos e maior conscientização do consumidor
O mercado brasileiro de veículos eletrificados atingiu um marco histórico em dezembro de 2025. Pela primeira vez, carros elétricos e híbridos com tração elétrica ativa superaram 12% de participação nas vendas de veículos leves, consolidando uma tendência que vem se fortalecendo ao longo dos últimos anos.
Os dados, divulgados pelo portal especializado InsideEVs Brasil, mostram que o avanço dos eletrificados não é mais um movimento pontual, mas sim um reflexo direto da maturação do mercado, da ampliação da oferta de modelos e da mudança no comportamento do consumidor brasileiro .
Crescimento consistente ao longo de 2025
No acumulado de 2025, os veículos eletrificados — considerando elétricos puros (BEV), híbridos plug-in (PHEV) e híbridos convencionais com tração elétrica (HEV) — alcançaram aproximadamente 10,6% de participação no mercado nacional. Trata-se de um salto expressivo em comparação com 2023 e 2024, quando esse percentual ainda era significativamente menor.
Somente na primeira quinzena de dezembro, a participação ultrapassou 12%, evidenciando uma aceleração no fim do ano, tradicionalmente um período forte para vendas no setor automotivo brasileiro .
Elétricos puros já representam mais de 4% das vendas
Um dos destaques mais relevantes do levantamento é o crescimento dos veículos 100% elétricos (BEV). Eles já respondem por cerca de 4,3% do total de emplacamentos, um número impensável no Brasil há poucos anos.
Esse avanço demonstra que o consumidor brasileiro está cada vez mais confortável com a tecnologia elétrica, principalmente em grandes centros urbanos, onde a infraestrutura de recarga vem se expandindo e o uso diário se mostra plenamente viável.
Equilíbrio entre BEV, PHEV e HEV
A distribuição das vendas entre as tecnologias mostra um mercado cada vez mais diversificado:
Elétricos puros (BEV): aproximadamente 35,4% dos eletrificados
Híbridos plug-in (PHEV): cerca de 35,1%, praticamente empatados com os BEVs
Híbridos convencionais (HEV): em torno de 29,5%
Esse equilíbrio indica que o consumidor brasileiro está escolhendo diferentes soluções de eletrificação de acordo com seu perfil de uso, orçamento e acesso à recarga doméstica ou pública .
Vale destacar que os híbridos leves (MHEV), que não contam com tração elétrica ativa, não entram nessa conta principal. Caso fossem incluídos, a participação dos eletrificados no mercado seria ainda maior.
Modelos mais vendidos reforçam nova realidade
Entre os modelos que mais se destacaram no período analisado, alguns nomes já conhecidos do público brasileiro confirmam a força da eletrificação:
BYD Dolphin Mini, liderando entre os elétricos puros
BYD Song Pro, destaque entre os híbridos plug-in
Toyota Corolla Cross Hybrid, referência entre os híbridos convencionais
Esses veículos mostram que a eletrificação deixou de ser exclusividade de carros premium e passou a ocupar espaço real no mercado de volume, especialmente entre SUVs e compactos urbanos .
O que explica essa virada no Brasil?
Diversos fatores ajudam a explicar esse avanço histórico:
Maior oferta de modelos, principalmente de marcas chinesas como a BYD
Preços mais competitivos, com elétricos abaixo da faixa dos R$ 150 mil
Redução do custo por quilômetro rodado, especialmente frente aos combustíveis fósseis
Expansão da infraestrutura de recarga, tanto pública quanto residencial
Mudança de percepção do consumidor, que passou a enxergar o elétrico como solução prática e econômica
Além disso, a discussão sobre sustentabilidade, eficiência energética e redução de emissões ganhou força, influenciando decisões de compra tanto de pessoas físicas quanto de empresas.
O que esperar para 2026?
Com novos modelos já confirmados para o Brasil, avanços na infraestrutura de recarga e maior familiaridade do consumidor com a tecnologia, a expectativa é que a participação dos veículos eletrificados continue crescendo em 2026.
O Brasil segue uma trajetória semelhante à de outros mercados emergentes, onde a eletrificação começa de forma gradual, mas acelera rapidamente quando atinge massa crítica — algo que parece estar acontecendo agora.
Conclusão
O ano de 2025 entra para a história do setor automotivo brasileiro como o período em que os veículos eletrificados deixaram de ser nicho e passaram a ocupar um papel central no mercado. Ultrapassar 12% de participação é mais do que um número: é a confirmação de uma mudança estrutural que veio para ficar.
Para consumidores, lojistas e empresas do setor, entender esse movimento não é mais uma opção — é uma necessidade.