Mercados emergentes já superam EUA e Japão na corrida dos carros elétricos
A adoção de veículos elétricos (elétricos a bateria e híbridos plug-in) no mundo está passando por uma transformação profunda. De acordo com um relatório sobre o crescimento global do mercado de veículos elétricos, os mercados emergentes deixaram de ser apenas promessas futuras e se tornaram protagonistas na expansão dos carros eletrificados no mundo.
A nova geografia da eletrificação global
Em 2025, mais de 25% de todos os carros novos vendidos no mundo são elétricos ou híbridos plug-in, um crescimento expressivo se comparado aos menos de 3% registrados em 2019.
O mais interessante é que a aceleração desse mercado não está ocorrendo apenas nos países desenvolvidos. Nos últimos anos, vários países emergentes começaram a registrar níveis de adoção que já superam as taxas de mercados tradicionais como Estados Unidos e Japão.
Onde os elétricos estão crescendo mais rápido?
Diversas economias emergentes registraram crescimento expressivo na participação de veículos eletrificados nas vendas de carros novos. Entre os destaques estão:
- Índia, México e Brasil registram participação de veículos eletrificados superior à do Japão, cujo mercado permanece em cerca de 3% desde 2022.
- A Indonésia atingiu cerca de 15% de participação em 2025, superando os Estados Unidos em participação proporcional de mercado.
- No Sudeste Asiático, países como Vietnã devem fechar o ano com cerca de 40% das vendas de carros novos sendo eletrificados, um salto impressionante frente a números quase nulos cinco anos antes.
- Outros países da região ASEAN, como Singapura e Tailândia, também alcançaram níveis de participação que superam a média europeia.
- Na América Latina, o Uruguai alcançou 27% de participação, semelhante à média da União Europeia, enquanto a Costa Rica chegou a 17%. Brasil e Colômbia aproximam-se de 10%.
Por que os emergentes estão crescendo tão rápido?
Esse crescimento não é apenas numérico, mas estrutural. O centro de gravidade do mercado global de veículos elétricos está se deslocando, com os mercados emergentes deixando de ser vistos como futuros consumidores e passando a ser agentes ativos dessa transformação.
Diferentemente da expansão tradicional, a adoção em muitos desses países representa um salto tecnológico direto, impulsionado por políticas públicas claras, incentivos governamentais e, em alguns casos, a atração de investimentos produtivos e industriais para o setor elétrico.
Alguns exemplos de políticas que incentivaram essa expansão incluem:
- Redução de impostos e tarifas para veículos eletrificados e conteúdo industrial local.
- Atração de fábricas de veículos elétricos e baterias.
- Incentivos à infraestrutura de recarga e produção local.
O papel do Brasil na nova corrida global
No Brasil, a participação de veículos eletrificados nas vendas de carros novos já ultrapassa 10% em 2026, consolidando um avanço significativo frente ao passado recente e superando mercados tradicionais como Japão em termos de participação proporcional.
Além disso, o Brasil passou a integrar o grupo de principais destinos comerciais para exportações de veículos elétricos, especialmente vindos da China, reforçando sua posição estratégica no novo mapa global da mobilidade elétrica.
O que isso significa para o futuro?
O crescimento acelerado dos mercados emergentes redefiniu a dinâmica global da mobilidade elétrica. O avanço não está restrito às economias desenvolvidas — agora, países em desenvolvimento também lideram a adoção e influenciam as decisões de investimento, produção e política industrial global.
Esse reposicionamento indica que a transição para veículos eletrificados será moldada tanto por políticas quanto por fatores econômicos que favoreçam adoção rápida e sustentável em diferentes partes do mundo. Os mercados emergentes, portanto, estão no centro da próxima fase da revolução elétrica global.